23 de mai de 2016

Paulo Coelho, o brasileiro mais influente do mundo, diz que o impedimento da Dilma foi golpe

O escritor Paulo Coelho, o brasileiro mais lido e mais influente no mundo, postou em suas redes sociais artigo de Glenn Greenwald, em que o jornalista afirmou que o impeachment, depois da bomba Romero Jucá, não pode ser chamado de outra palavra a não ser golpe; mais do que isso, Paulo Coelho fez seu próprio juízo sobre o escândalo do dia; "Foi tudo armado. Tudo", disse ele; dias atrás, ele afirmou que o golpe se autodevoraria e que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltaria inevitavelmente ao poder; a profecia do mago irá se cumprir?
Com Brasil 247.

Quem é Sadrak, o líder do "Bonde dos 40"? Decifra-o a partir desta sua composição!

Quem é Sadrak, o líder do "Bonde dos 40", organização criminosa de adolescentes em São Luís?
Veja uma de suas composições. Verifica-se que Sadrak tem uma visão apurada da situação de milhares de jovens de São Luís. Não é uma composição qualquer. É algo refinado!
Confira neste link do blogue Atual 7.

O camaleão Sarney avaliza o governo do golpe


Coluna de José Sarney, ontem (22), no seu jornal O Estado do Maranhão!

Nota oficial do PSB de São Luís, assinada pelo seu presidente Senador Roberto Rocha

Nota oficial do PSB de São Luís, assinada pelo seu presidente Senador Roberto Rocha.
Curtir
Comentar

Segurança: Governo parte pra ofensividade contra onda de violência em São Luís

Manhã de domingo, polícia nas ruas para garantir autoridade da lei contra quadrilhas que querem volta ao passado.

Bomba, bomba, bomba: Áudio do ministro do Planejamento de Temer vaza e revela bastidores do golpe e plano para acabar com a Lava Jato

Em conversas ocorridas em março passado, o ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma "mudança" no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos.
Gravados de forma oculta, os diálogos entre Machado e Jucá ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. As conversas somam 1h15min e estão em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Da Folha.
Enviado por Eri Santos Castro.
#Compartilhe.

Tem nova pesquisa em São Luís e Edvaldo caminha para a sua total inviabilidade eleitoral

Tem nova pesquisa em São Luís
A sondagem foi feita em São Luís com 923 entrevistados, no período de 12 a 16 de maio de 2016.
O prefeito Edivaldo Holanda Jr, na estimulada, estacionou um pouco depois dos 15 pontos e cresceu sua rejeição pala mais de 50 pontos.
A surpresa eh a confirmação de empate técnico entre o prefeito e Wellington do Curso.
Mudando cenários com a inclusão de Bira do Pindaré ou Roberto Rocha Filho ambos estao muito abaixo de dois dígitos. Acho que a disputa interna no PSB defenestrou os dois.
A total indecisão do PT, o fará um mero autor coadjuvante. Rose Sales e Fabio Câmara também muito abaixo de dois dígitos.
Eliziane Gama sufa em céu de brigadeiro. Eh a que mais cresce com a retirada do nome de Castelo, que pontuava no mês passado 18 pontos.

18 de mai de 2016

Que governo é esse? Não é pra Temer!

Que governo é esse? Não é pra Temer!
1-Composição do governo sem mulheres e nem negros;
2-Diminuição do SUS e apologia e defesa dos interesses dos planos de saúde privados;
3-Aumento para 75 anos da aposentadoria compulsória;
4-Extinção dos ministérios da Cultura;
5-Extinção da CGU-Controladora Geral da União...liberou geral.

17 de mai de 2016

Governo inicia sessão da licitação para construção de Ponte sobre o Rio Pericumã

Sessão pública de Concorrência para contratação de empresa referente a ponte Pericumã, ocorreu na última sexta-feira

O Governo do Estado, por meio da Comissão Central Permanente de Licitação (CCL), iniciou, na última sexta-feira (13), a primeira sessão pública da Concorrência para contratação de empresa especializada para construção de Ponte Rodoviária sobre o Rio Pericumã, de interesse da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra). Serão aproximadamente 589 km de extensão, compreendendo o trecho Bequimão-Central do Maranhão.

A sessão foi dirigida pela Comissão Especial de Licitação (CEL), que iniciou com o credenciamento das licitantes. Participam da Concorrência as empresas Sultepa Construções e Comércio Ltda, Consórcio Epeng - FN Sondagens e Construtora Gaspar S/A. A licitação prevê a construção de uma Ponte com vigamento em aço e laje em concreto armado sobre a travessia do Rio Pericumã, interligando as cidades de Bequimão e Central.

O presidente da Comissão Especial, Odair José Neves, destacou os benefícios que esta licitação levará à região da baixada maranhense. “Além do benefício de melhor infraestrutura, existe a oportunidade de emprego, tendo em vista que favorecerá o turismo e a economia da região”. Na sessão foram entregue os envelopes de habilitação e propostas de preços. Os representantes credenciados rubricaram e tiveram vistas livre para analisarem as habilitações das demais empresas.

Na sessão, foram analisadas as documentações de habilitações pela CEL com apoio de equipe da Sinfra. Em seguida, a Comissão suspendeu a sessão a fim de sejam realizadas diligências para conclusão da fase de análise das habilitações. A sessão de continuidade será agendada previamente por meio de publicação na página da CCL,www.ccl.ma.gov.br.

As corujas e o ano de 2016


As corujas podem girar sua cabeça e pescoço em até 270º em qualquer direção.
O símbolo da Deusa grega da sabedoria, Atena, é uma coruja. A coruja é também considerada o símbolo da filosofia.
Tenhamos uma 3ª semana de maio abençoada e feliz. Na foto uma coruja construída de frutas. Pois, colheremos bons frutos neste ano de 2016!
‪#‎partiucomKabballah‬

15 de mai de 2016

Dowbor: ausência de reformas bloqueou lulismo e o PT precisa se reinventar/refundar

Para economista, país viveu doze anos de avanços, mas processo atingiu seu limite – e hesitação do governo frustrou mudanças estruturais indispensáveis
Ladislau Dowbor, entrevistado por Maria Inês Nassif*
O Brasil andou muito nas últimas duas décadas. Obteve um avanço social histórico desde o governo Lula, mas entrou no “ciclo travado”, a partir do qual sobram apenas duas alternativas: ou a coragem para fazer reformas estruturais, eternamente adiadas, ou o recuo. Jamais ficar no mesmo lugar.
O raciocínio é do incansável economista Ladislau Dowbor, da PUC de São Paulo. Do alto de um invejável currículo acadêmico – graduação em Lausanne, doutorado em Varsóvia, professor em Coimbra – e profissional, Dowbor carrega consigo uma vocação de eterno militante. Era um dos 40 presos políticos que, nos primeiros dias de 1971, foram trocados pelo embaixador suiço Giovanni Bucher, numa operação comandada por Carlos Lamarca.
Hoje brinca que a ditadura incentivou muito o “intercâmbio” daqueles jovens brasileiros que vagaram pelo mundo – os banidos do Brasil que ficaram preferencialmente pela Europa, depois de terem sido trocados por embaixadores sequestrados em ações da guerrilha urbana.
É com alma de militante que Dowbor tem participado de todas as intermináveis reuniões que acontecem em São Paulo desde o início do ano entre intelectuais, e professa uma “oposição” que se traduza numa unidade de forças progressistas capazes de empurrar o governo para a esquerda, garantir os avanços conquistados de direitos civis, políticos e sociais desde a Constituinte de 1988 e romper com o que ele chama de “ciclo travado”, ou seja, as limitações impostas por uma elite financeira ao desenvolvimento pleno do país.
No centro de seu pensamento está a constatação de que o rentismo impôs uma ciranda de juros elevados para rolagem da dívida pública e alto custo do crédito para pessoas físicas e jurídicas. E essa realidade se traduziu, na prática, em um severo limite ao ciclo de crescimento baseado no mercado interno, iniciado no governo Lula.
A partir de agora, ou o país banca reformas estruturais, inclusive uma reforma financeira, ou retrocederá de um período de quase três décadas de avanços contínuos – sociais, econômicos e políticos. Ladislau Dowbor concedeu esta entrevista, em São Paulo, logo depois de uma rodada de debates sobre o futuro do Brasil entre os integrantes do chamado “Fórum Brasil 21”, que tem por objetivo definir uma agenda política comum para as forças progressistas do país. A seguir, os principais trechos da entrevista que concedeu à jornalista Maria Inês Nassif.
(Entrevista publicada originalmente em “Engenharia em Revista”)
150807-Ladislau
Um acumulado de impasses
O Brasil hoje vive vários impasses. Um deles tem dimensão internacional e sofre o impacto de movimentos especulativos, sobretudo no mercado de commodities. Nos últimos 12 meses, o minério de ferro, por exemplo, que tem um grande peso na pauta de exportações brasileiras, perdeu 40% do seu valor; a soja, a laranja e outras commodities encolheram entre 20% e 30%. São cifras bastante significativas. No plano interno, o país vive um limite estrutural. O Brasil conquistou um conjunto de avanços, em particular nos governos de Lula e no primeiro governo de Dilma, mas os processos de expansão das políticas sociais chegaram a um limite, a partir do qual são necessárias mudanças estruturais.
As eternamente adiadas reformas de base não são mais adiáveis.
A resistência das elites e a crise política
Nesta tensão, a resistência das elites mostra-se extremamente forte. É por isso que a crise que se gera é essencialmente política. Não há base para falar numa crise de enormes proporções, ou que o país está quebrado, ou ainda que vai quebrar. Isso não faz o mínimo sentido. Podem até ocorrer ajustes que levem a uma racionalização de gastos do governo, mas isto não anula simplesmente a realidade de que o país está num ciclo de avanços absolutamente impressionante.
Socialmente, o Brasil mudou a sua cara. Entre 1991 e 2010, o brasileiro, que vivia até 65 anos, passou a viver 74 anos; em 2012, já vive 75 anos; ou seja, estamos falando de um país onde os brasileiros vivem 10 anos a mais. A mortalidade baixou de 30 por mil para 15 por mil. Isso resulta de uma convergência de mudanças: essas pessoas passaram a ter uma casa mais decente, a comer, são benefi ciários da expansão do serviço básico de saúde, o SUS, etc. São fatores que convergem para uma expansão do tempo de vida e para a redução da mortalidade infantil – e, convenhamos, dividir pela metade a mortalidade infantil é um gigantesco avanço. Além disso, temos um conjunto de outros números já conhecidos: a criação de 20 milhões de empregos formais e 40 milhões de pessoas que saíram da miséria.
Segundo dados do Atlas das Regiões Metropolitanas elaborado conjuntamente pelo PNUD, Ipea e Fundação João Pinheiro, houve uma redução drástica da pobreza em todas essas regiões e um aumento dos Indicadores de Desenvolvimento Básico (IDB). Mais recentemente foram divulgados os Indicadores de Progresso Social, o IPS, que acompanha 54 indicadores que são o PIB, e coloca o Brasil no 42º lugar entre 130 países, puxado para baixo essencialmente pelo problema da segurança, que é o ponto crítico e está diretamente ligado ao problema da desigualdade.
O sistema financeiro emperra a locomotiva
Escrevi um documento chamado “Bancos: o peso morto da economia brasileira”, em que eu descrevo como os juros internos da economia esterilizam as ações de política econômica social. O Rubens Ricupero e o Bresser Pereira, que foram ministros da Fazenda e entendem disso, aprovaram as minhas anotações. O capitalismo financeiro impõe severas limitações ao momento seguinte desses avanços sociais, ao avanço do Brasil em direção ao futuro. Está em curso um processo de globalização financeira mundial que torna difícil ao país adotar políticas macroeconômicas independentes e as reformas financeiras que são necessárias. Quando se cobra nos crediários mais de 100% de juros, a intermediação financeira está se apropriando da metade da capacidade produtiva da população. O imenso esforço que o Brasil fez de redistribuição e de inclusão no mercado de dezenas de milhões de pessoas, os bancos, os comerciantes com crediários, as administradoras de cartões de crédito capturaram. As instituições de crédito sugaram a capacidade de compra da população, e dessa forma esterilizaram a dinamização da economia pelo lado da demanda. Os juros para pessoas jurídicas são absolutamente escorchantes, o que trava também a economia pelo lado do investimento. Os empresários já tendem a investir pouco quando a economia está travada. Quando, ainda por cima, adquirir equipamentos e financiar empresas custa de 40% a 50% de juros, então esqueça de novos investimentos.
Veja o poder político que esses grupos têm para obrigar o governo americano, o Banco Central Europeu, Bruxelas, a encontrar trilhões de dólares em poucos meses, quando os recursos são escassos para resolver o problema da destruição ou da pobreza.
“A financeirização não é abstrata. Grupos financeiros controlam os conselhos de administração das mais diversas empresas e ditam as políticas das corporações”.
A urgente reforma financeira
Sem dúvida, são urgentes as reformas política e tributária, mas é igualmente central uma reforma financeira em profundidade.
O componente rentista da crise é parte de minha análise. Na minha avaliação, o fator central dessas limitações ao futuro é que não temos mecanismos de canalização adequada dos recursos do país. O Brasil tem uma renda per capita de US$ 11 mil – e isso é um nível de renda de um país rico. O nosso país também domina tecnologias e tem instituições. Não existem razões plausíveis para a economia não funcionar. Contudo, a generalização da inclusão social e a redução dos desequilíbrios internos esbarram em razões estruturais.
Leia entrevista completa, clique abaixo:
Pauta: Gilberto Castro.
Enviado por Eri Santos Castro.
#Compartilhe.

Temer assume viés de extrema direita

Digo: 'Ordem e Progresso', síntese da doutrina positivista. Pior que o capitalismo brutal...só o positivismo....Eis o slogan pra nada a TEMER!
Foto de Eri Castro.

12 de mai de 2016

Dilma é deposta por um golpe espúrio e usurpador, Lula será preso e o pau vai comer

"Essa informação não é oficial, mas eu não poderia fingir que não estou sabendo do mesmo que vocês estão. Não é oficial. Portanto, peço cautela, por favor. Vivemos uma conjuntura de manhas e artimanhas". (Dilma Rousseff ao saber da ação do presidente da Câmara, Waldir Maranhão, de invalidar a votação do golpe, acontecida no dia 17 de abril)
Demorou, mas antes tarde do que nunca, e o senador Renan Calheiros (PMDB/AL), não pôde mais esconder sua veia de golpista e teve de parar com a farsa e mostrar sua verdadeira face de Cunha no Senado, além de ter de sentar no colo do usurpador do poder presidencial, o vice Amigo da Onça, vulgo Michel Temer (PMDB/SP), o de atitudes e condutas espúrias e constitucionalmente criminosas, porque, insofismavelmente, golpistas.
Renan Calheiros, a despeito da ação do deputado Waldir Maranhão (PP/MA), cujo partido está envolvido até a medula na Lava Jato e em outros escândalos, a exemplo também do PMDB, do PSDB e do DEM, agremiações políticas que até hoje são blindadas sobre seus crimes, inacreditavelmente, por juízes, procuradores e delegados da PF, não tem mais condições de dissimular, porque deixou claro e evidente que o processo de deposição de uma presidente legitimada pelo povo vai chegar ao seu fim, de forma que Dilma Rousseff seja afastada da Presidência por 180 dias.
Contudo, salutar se torna prestar atenção que, apesar de Renan Calheiros ter se enredado com a teia golpista de Temer, em uma orquestração de direita para depor a presidenta trabalhista, bem como usar o rito processual e a tecnicidade jurídica como desculpas para invalidar a decisão de Waldir Maranhão, ao dizer que o processo não pode parar, o presidente do Senado, na verdade, transferiu a decisão sobre o golpe de estado travestido hipocritamente e criminosamente de legal e legítimo para os colos de vossas excelências, os juízes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um tribunal superior cujos juízes, sem generalizar, já mostraram para o que vieram e que estão dispostos a não somente conspirar, mas se tornarem cúmplices do golpe, inclusive a darem declarações antes de quaisquer julgamentos, de forma que Dilma Rousseff seja prejudicada em sua defesa, porque juízes, a exemplo do condestável Gilmar Mendes, do PSDB do Mato Grosso, deixaram há muito de tempo de ser magistrados, porque atuam efetivamente como políticos de oposição aos governos trabalhistas do PT.
Juízes associados aos interesses da plutocracia midiática, sendo que Gilmar Mendes, a herança maldita de FHC — o Neoliberal I — sempre se reuniu, inclusive em público, conforme evidenciam inúmeras matérias jornalísticas, com os políticos do PSDB e do DEM, antes mesmo de tomar decisões nas quais estavam envolvidos o PT, suas lideranças, as ações de Governo Trabalhista, até mesmo a se intrometer em suas questões administrativas ordinárias e programas de Governo, além de se mostrar um opositor feroz e verborrágico, pois dado a pronunciamentos que envergonhariam a Corte Suprema em qualquer país civilizado, que não é o caso do Brasil, porque terra de uma casa grande bárbara, selvagem, corrupta e golpista.
Renan é o Cunha e o Cunha é o Temer. Portanto, Renan é o Temer. É esta equação, que apresenta o seu resultado a certos juízes do Supremo, que passarão a fazer parte desta conta conspiratória, quando, obrigatoriamente, vão ter de dar satisfação à Nação brasileira quando chegar a hora de impedir o golpe ou fazer parte dele. O golpe de estado, que isto fique claro, porque se trata de um processo viciado já na origem, como bem documentou para depois questionar a Advocacia Geral da União (AGU), na pessoa do ministro José Eduardo Cardozo.
Por Davis Sena Filho é editor do blog Palavra Livre.
Enviado por Eri Santos Castro.
#Compartilhe.
Leia artigo completo ...clique embaixo.

11 de mai de 2016

Por Tarso Genro: Onze teses sobre a questão democrática no pós-golpe

Tarso Genro


Trata-se de uma contribuição ao debate, que certamente a esquerda deverá enfrentar, no próximo período.

1. A corrupção no Estado e a corrupção -na concorrência entre os capitalistas-  para ampliar os seus negócios no mercado, antes de ser um problema ético-moral, é, não só uma forma de organizar as relações de poder, dentro e fora do Estado, como é, principalmente, um elemento importante do processo de acumulação. Tanto de dinheiro ou recursos conversíveis em dinheiro, como de poder político e burocrático, dentro e fora do Estado. O processo de acumulação, com maior ou menor taxa de "ilegalidades", organiza o Estado e vai construindo -pela ação consciente dos sujeitos-  as formas jurídicas que pretendem, tanto bloquear e punir  as ilegalidade, como criar condições formais de igualdade. A forma de combatera corrupção é, provavelmente, o elemento mais definidor da maturidade ou precariedade do Estado de Direito na modernidade, pois nela está, no capitalismo organizado, o espaço no qual direito e política se comunicam e se interpenetram na esfera pública. 

2. Dentro do Estado de Direito Democrático se enfrentam, permanentemente, forças políticas e atores burocráticos -por necessidade ou convicção-  comprometidos com a ordem jurídica  e os que atuam segundo as suas próprias normas, pela força e pela ilegalidade. Como a corrupção e as violações da legalidade são um modo de ser do próprio Estado, este enfrentamento -em maior ou menor grau-  transita por todos os partidos, em todos os setores da sociedade e do Estado,  é instrumentalizado, em momentos de crise, normalmente pelos setores que mais dependem do aparelhamento do Estado, para manter seu poder político ou para aplicar seus programas econômicos. Nenhum outro tipo de Estado pode favorecer o combate à corrupção como Estado de Direito Democrático, porque ele admite a cena pública, na política, em que pese as deformações que interferem sobre ela. Mas, de outra parte, nenhum outro Estado é tão pouco resistente à instabilização, como o Estado de Direito Democrático, hoje, pela força do capital financeiro transformado em ação política e facção organizada, que se sobrepõe aos partidos.

3. A sinalização para o golpismo institucional, que foi se aperfeiçoando no país depois das eleições de novembro de 2014, foi dada em julho de 2013. Primeiro, com a glamorização dos movimentos de rua, promovida pela mídia oligopolizada, que chamou às ruas milhares de pessoas -predominantemente das classes altas e médias, somadas a parte da população de renda baixa, descontentes com o Governo Dilma; segundo, o golpismo aperfeiçoou-se com a liderança explícita do oligopólio da mídia, escrevendo a pauta dos operadores políticos do movimento, com um sentido claro: de uma parte, formulando a tese de que "o gigante acordou", assim colocando por terra -com esta fórmula simples e de fácil apreensão popular-  a memória "social" dos três governos progressistas já em crise. 


4. De outra parte, a sinalização do golpismo levantou a agenda  da "corrupção", como se esta fosse inventada por aqueles governos populares, tema fundamental para a deslegitimação das das eleições presidenciais.  Esta agenda, principalmente, permitiu que a parte mais corrupta da oposição, se unisse com a parte mais corrupta do Governo, compondo uma unidade aparentemente saneadora do Estado, mas que, na verdade, promove um bloco político que apenas pretende se proteger das investigações e processos em curso. Seu preço, para serem acolhidospela mídia oligopolizada,  como aliados conjunturais, é o aprofundamento do "ajuste" recessivo, cumprindo as ordens dos credores da dívida pública, para a "modernização" do Estado. Leia-se: abandonar qualquer veleidade de cooperação interdependente no cenário global, para transitar, novamente, para a submissão dependente, dentro dos ditames do capital financeiro.
 

5. A partir destas sinalizações e de um martelamento contínuo, com vazamentos seletivos, instalação de uma jurisdição nacional ilegal, prisões forçadas para promover delações premiadas, criação de um ambiente de hostilidade fascista contra o PT e os seus aliados mais próximos, abre-se um  ambiente de "exceção" e os processos judiciais e seus inquéritos -devidamente direcionados-  se tornam expressão de uma disputa política profunda sobre os rumos do Estado. O ambiente de "exceção" constitui, assim,  o espaço político e jurídico, já exclusivo de operações políticas, que permitem movimentos aparentemente legítimos, à margem do Estado de Direito, como a derrubada de uma Presidenta, sem causa legal. Esta derrubada está sendo possível, também, pela inépcia política do próprio Governo e da maioria do do PT, no Parlamento, que até a última hora acreditava na generosidade fisiológica do PMDB. Nas últimas semanas PT e Governo reagiran bem, mas reagiram tarde.


6. Através destes e outros movimentos, formou-se uma grande aliança farisaica,  tendo como seu "partido moderno" e centro de elaboração estratégica, a mídia oligopolizada, que vai promovendo e desfazendo alianças, manipulando e selecionado informações, ajustando os próximos passos, com partidos e setores de partidos, sempre tendo como agentes políticos implícitos, mas  estáveis, o ex-Presidente FHC, o Presidente da Câmara Eduardo Cunha, o deputado Bolsonaro -este sempre poupado pela mídia. como permanente apologista da tortura- até o momento em que não servirão mais aos seus intentos de derrubada do Governo. A grande mídia e seus agentes políticos, neste movimento estratégico,   incentivaram o Vice-Presidente e seu grupo à traição, com a promessa implícita que eles seriam incensados para "salvar o Brasil da corrupção" : partidos e grupos internos aos partidos, vão sendo cooptados, conformando -desta maneira- um só movimento estratégico. É um movimento amarrado com setores da alta burocracia estatal da Justiça, para realizar um cerco completo ao Governo e ao Presidente Lula -principal sustentáculo político do Governo e seu mentor-   sem  que sejam apontados, até agora -a não ser  por informações  interessadas de delatores-   quaisquer fatos concretos que o envolvam com a corrupção, e a Presidenta Dilma, com crime de responsabilidade. Este é o movimento estratégico do golpe, travestido de "impeachment".

 

7. A discussão meramente jurídica, a respeito do processo de deposição da Presidente  -se é "golpe" ou não-  é uma face insignificante do debate em curso. Não se trata de comparar a situação atual, com os golpes militares, que ocorreram nas décadas de sessenta e setenta, no auge da "guerra fria". Hoje, o golpismo é um processo mais complexo, que avança no terreno da democracia política, e cuja força organizadora não é mais uma articulação civil-militar contra o comunismo, mas uma composição de forças, dentro do aparato civil do Estado, com quaisquer forças políticas que estejam dispostas a fazer a gendarmeria do capital financeiro. Este, precisa tornar mais intensa a sua sobreposição ao Estado e aos partidos, para ajustar as economias locais à  economia mundial, com vistas a um novo ciclo de acumulação, mais elitista e mais conservador. Este novo ciclo, não mais suporta, de um lado, as concessões da social-democracia aos pobres e miseráveis, e, de outro, não mais aceita a projeção de destinos nacionais, que não sejam integralmente submetidos a força "reformista" da utopia da direita: a utopia do mercado perfeito. 
 

8. Os Governos Lula e Dilma não foram suficientemente reformistas, no plano político, nem suficientemente ousados no plano econômico, para sustentar um novo ciclo de acumulação e distribuição de renda, capazes de dar apoio a um destino nacional-popular,  formando um bloco social e político coeso, que se opusesse com viabilidade, à tutela do capital financeiro. Mas, seja a conjuntura pós-guerra fria, a responsável por isso, seja o sistema de alianças que foi possível nesta etapa, sejam os métodos de governo tradicionais que foram adotados, sejam todos estes fatores reunidos, o legado que melhorou a vida de mais de cinquenta milhões de brasileiros, que apostaram no segundo governo Dilma, não pode ser depreciado. É o fim de um ciclo, não é o fim da esquerda nem da democracia, que chega ao seu limite na América latina: o "chavismo"  fracassou rotundamente, a experiência Argentina está em fase de dilapidação por um Governo legitimamente eleito e não serve de parâmetro para o Brasil. Os demais governos reformistas democráticos -desta nova etapa de configuração da esquerda em escala mundial-  ou se rendem por vontade política, ou são obrigados a se render às coerções do "ajuste", na nova crise do capital.

9. A destruição das grandes empreiteiras nacionais, que tem uma enorme projeção internacional (ao invés de serem punidos exclusivamente os indivíduos que tem responsabilidade penal), o bombardeio permanente contra a Petrobrás, a desindustrialização que é acelerada pela recessão (que será ainda mais dura), a fragilização dos programas das Forças Armadas (relacionados com as ações de proteção e controle da Amazônia e do Atlântico Sul), o aparelhamento do Estado por uma elite política que é movida apenas pelo intuito de retirar o PT do poder -que não tem nem unidade programática nem densidade moral para combater a corrupção- é o que nos espera no próximo período. E que, de certa forma, já está em curso pelas sucessivas e infrutíferas concessões feitas pelo Governo à agenda neoliberal. 

10. A  fragilização econômica, política e militar do país, nos entrega numa bandeja para a elite financeira que comanda os ajustes no mundo. A minimização das políticas sociais, ajustada com a redução das funções públicas do Estado abre, porém,  um novo ciclo de lutas "de baixo para cima", e uma nova possibilidade de unidade do campo da esquerda, com o centro democrático e progressista. Seus elementos de coesão, neste período, dizem respeito, não somente às lutas de resistência contra a retirada de direitos, mas, igualmente, à restauração da legitimidade do poder político, que pode ser pautada imediatamente após a realização plena do golpe: novas eleições presidenciais, novas eleições gerais, plebiscito para convocá-las, reforma política emergencial, com ou sem Constituinte, deverão estar no centro das preocupações da cidadania democrática, que apesar dos erros e omissões dos nossos governos, estiveram na agenda do país na última década.

11. Uma nova Frente Política, cujo centro de gravidade esteja na esquerda -não mais no centro fisiológico e oligárquico que está representado pelos que abandonaram o Governo e pelos que tendem a hegemonizar o oposicionismo neoliberal- é o que deve compor as preocupações da esquerda social e política, no atual período, sob pena de que o retrocesso, que estamos enfrentando, se torne mais grave e de mais  longo curso. É no terreno de "mais democracia", mais controle público sobre o Estado, mais participação direta dos cidadãos na gestão pública, mais Estado Social de Direito, que podemos avançar para deslegitimar o golpe. Isso significa, sobretudo, apresentar um programa concreto para a retomada do crescimento e do emprego, elementos da crise que não soubemos enfrentar e que prepararam a cultura do golpismo que nos derrotou. O Partido dos Trabalhadores, com o Presidente Lula à frente, deve ter a humildade e a autocrítica suficiente para, de uma parte, defender os avanços do período, que não foram poucos, mas sobretudo de compartilhar a direção política da esquerda, com outros setores organizados e partidos, que não estiveram integralmente conosco neste período. 


Por Tarso Genro.
Enviado por Eri Santos Castro.
#Compartilhe.